segunda-feira, 13 de abril de 2009

Arte Erudita: música aos nossos ouvidos

Autora: Luana Gonçalves Macedo
Pólo: São Carlos

A música erudita é definida como a música academicamente estudada, em sua forma, estilo, e analisada conforme as tradições, seguindo cânones preestabelecidos no decorrer da história da música. Há quem diga ser uma forma superior a todos os gêneros musicais, sendo a real arte musical.

A música erudita data desde a pré-história e era ligada a rituais religiosos. Em 2000 a.C. a 331 a.C., no Oriente Médio, houve uma grande sofisticação na construção de instrumentos como lira, harpa, alaúde, flauta e trombeta. O conhecimento sobre a música relacionava-se à afinação e às escalas dos instrumentos encontrados, das figuras de tocadores e de rituais. Algumas passagens sobre a música é referida na Bíblia, como a descrição da orquestra de Nabucodonosor II feita por Daniel. E ainda, nos séculos a.C., a música compunha as festividades, o teatro, os coros em honra a deuses, em exibições de lutas e espetáculos em anfiteatros. Na Idade Média, predomina a música religiosa. No século XVIII, destacam-se nomes como Wolfgang Amadeus Mozart, Joseph Haydn, Ludwig van Beethoven e Franz Schubert. Já no século XIX, ocorrem formas livres, prelúdios, rapsódias, sinfonismo, virtuosismo instrumental e movimentos nacionais incorporam elementos não relacionados à tonalidade estrita do classicismo.

A partir daí, a música erudita traz nomes de artistas que celebram a música de forma inovadora, fugindo dos parâmetros tradicionalistas e nos indicam novas possibilidades frente às tecnologias a favor da musicalidade.

A música Erudita, em todos os seus períodos, leva-nos a uma variedade de sentimentos, pois transcende à técnica ou ritmos que apenas embalam nossos corpos. A música erudita embala nosso corpo, mente e coração. Há as que fazem alterar a respiração e a freqüência cardíaca com suas variações, entonações, etc. Há as que levam ao relaxamento e a comoção. Esta é a boa música dos grandes mestres. Diria que a música é um elo com o divino, o que não é perceptível no samba, rap, pagode, funk, seresta, entre outros.

Por trás do nosso corpo físico, há planos que somente a subjetividade explicaria. E é através da música erudita que podemos sentir além do que chamamos de palpável, matéria, físico. Há relatos de que o público erudito, como qualquer público de qualquer estilo de música, liga muito seus sentimentos àquilo que escuta.
A música erudita passou por profundas transformações desde seu estilo tradicionalista até o modo como o público se relaciona a esta arte. Hoje em dia não é necessário trajar roupas sociais para assistir um evento musical erudito e este gênero não é mais visto como música “chata” ou para ricos. O preconceito foi desmantelado e há uma democratização que desmistifica esse lado esnobe.

A música, seja ela de qual gênero for, deve ser universal, isto é, para todos. E o gênero erudito demonstra que além de ser atualmente universal, é passível de mudanças, inovações e, ainda, que não possui apologia ao preconceito de qualquer espécie e nem à imoralidade, o que infelizmente ocorre em outros gêneros.

A música erudita, seja ela tradicional ou modificada, não traz nenhum prejuízo às populações, comunidades e famílias, pois trabalha com sentimentos, percepções, subjetividade, e não com questões políticas, econômicas, sociais e ideológicas. Música aos nossos ouvidos!

A porrrrta aberta da música caipira

Eneida Alves Regado
Pólo: Itapetinga
A música caipira no Brasil é tão antiga quanto o próprio caipira. Simples e sem pressa como cigarro de palha, alcança ainda hoje um público enorme, seja jovem, velho, urbano, rural, homem ou mulher. Nascida de parto natural no nosso interiorzão, bastando uma viola e o tocador, hoje se vê invadida por inúmeros “estilos”, que pretendem beber deste nicho comercial de forma bastante popular. Como é o caso de algumas duplas.

Este caipira cantador vem lá da origem do Brasil, uma mistura de índios, jesuítas e portugueses. Com eles misturaram-se também as danças e entoadas ritmadas, os hinos religiosos, as modinhas portuguesas, dando luz à música caipira. A viola, esculpida do tronco, foi sacramentada como instrumento base para este gênero musical.

Dentre suas origens, também considerado música caipira, o cururu nasceu dos cantos religiosos e ainda resiste no interior de Piracicaba, Sorocaba e Tietê. Mario de Andrade, nas suas andanças de pesquisa pelo interior, constatou o cururu em forma de desafio , sempre iniciada com saudação a um santo.

O catira ou cateretê surgiu de uma dança indígena, o cateretê. Vistos ainda em São Paulo e Minas Gerais, começam com uma moda de viola e são acompanhados de batidas de pés e solos. Bonito de se ver, nas festas de Folias de Reis e as de São Gonçalo, coloridos e alegres, estão na alma do povo interiorano e contagiam a “gente que vem da cidade grande”.

Mas é na moda de viola que a gente pára e não quer sair mais. Com suas possibilidades de solos de viola, longos versos, letras que contam histórias cheias e tristezas e alegrias, resgate da história do próprio povo que vive ali, paralisam quem passa e fica ali até o fim, sem arredar pé, para saber e ouvir o desenrolar daquele causo.

Por volta dos anos 50, com a vinda de muitos nordestinos para a construção da emergente São Paulo e outras capitais, a música caipira ganhou as rádios e se popularizou, ficando conhecida neste meio como música sertaneja. Misturou-se com outros gêneros, como MPB, rock e influências de country music.

Os anos 50 foi a década das duplas, vindas do interior; nos anos 60 o surgimento do excelentíssimo Renato Teixeira, vindo da Jovem Guarda, resgatando e trazendo uma enorme divulgação deste estilo, com muito estilo; nos anos 80 veio a dupla Pena Branca e Xavantinho que adaptaram músicas da MPB para a música sertaneja, também com grande repercussão e merecido sucesso.

Hoje há duas vertentes mais claras da música caipira (ou sertaneja, como tornou-se conhecida na década de 50 pelas rádios): as duplas com influência do country music, mais populares e com grande romantismo, letras populistas e repetitivas e grande repercussão no público jovem; e aqueles resgatadores da música caipira de raiz, como o Almir Sater e Renato Teixeira, que canta: “Que me imporrrta, que me imporrrrta, o seu preconceito? Que me imporrrrta?”, ensinando o “sotaque” caipira para quem não conhece.

E vale a pena conhecer! Esta música caipira de raiz, com origem na nossa história, vale a pena ser ouvida, tocada, dançada e sentida com a alma. Sentar na soleira, cumprimentar a vizinha, comer bolo de mandioca, e deixar a pooorta aberta, porque todos nós somos um pouco caipiras, ora.

O Choro celebrado em nova data entre os paulistas

Rita de Cássia Grandizoli Rebouças
Pólo de São Carlos

O Choro celebrado em nova data entre os paulistas

O agradável “Choro”, que nacionalmente é celebrado em 23 de abril, tem mais uma data para ser comemorado entre os paulistas: dia 28 de junho é agora o Dia Estadual do Choro. A data, instituída por meio de projeto de Lei por iniciativa do Deputado Paulo Alexandre Barbosa, publicada no Diário Oficial do Estado do dia 11 de março de 2009, é uma homenagem a um dos maiores expoentes do gênero, o paulistano, filho de portugueses, Aníbal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, que nasceu nesse dia no ano de 1915.

Esse gênero musical, considerado genuinamente brasileiro, encontra suas origens no século XIX, tendo sido reconhecido apenas no início do século XX como tal. Carinhosamente chamado de Chorinho, é música popular instrumental brasileira, executada pelos regionais compostos pelos chorões, nome que se dá aos compositores e instrumentistas. Dentre os principais instrumentos utilizados pelos regionais encontramos o violão de sete cordas, o violão, o bandolim, a flauta, o clarinete, o cavaquinho e o pandeiro.

Como todo gênero, o Choro não tem data de nascimento, mas tem suas primeiras origens por volta de 1808, no Rio de Janeiro, com a chegada da família real portuguesa e sua corte que trouxeram instrumentos como o violão e o bandolim e músicas como a valsa, a quadrilha, a mazurca, o xote e a polca, entre outras; também a partir dos africanos, recebeu influências de ritmos como o batuque e o lundu que, abrasileirados pelos músicos urbanos daqui, foi tomando formas variadas, improvisadas e divertidas. Os primeiros chorões originaram-se da classe média urbana, composta por pequenos comerciantes de origem negra, funcionários públicos e músicos de bandas militares que costumavam tocar de ouvido.

Entre os músicos mais conhecidos estão Garoto, Ernesto Nazareth,Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e Joaquim Callado. Este último, flautista e professor do Conservatório Imperial, é considerado um dos criadores do choro. Callado possuía um grupo que se reunia para tocar por prazer, improvisando e modulando com virtuosismo. Uma composição sua em parceria com Catulo da Paixão Cearense intitulada “Flor Amorosa” é considerada a primeira do gênero.

Considerado um gênero popular, o Choro também despertou interesse e valorização por compositores da música clássica; Heitor Villa Lobos, na década de 20, incorporou à sua obra erudita a composição de 14 choros, demonstrando seu grande valor e riqueza musical.

Desde o reconhecimento como gênero no começo do século XX e, até hoje, o Choro marcou e continua marcando forte presença nas criações de muitos compositores e instrumentistas de peso da música popular brasileira, como gênero musical de grande aceitação e prestígio por parte dos brasileiros.

Referências

Dicionário de Música Zahar. Zahar Editores S.A., 1985
Disponível em:<http://clubedochorodesantos.blogspot.com/2009/03/partir-deste-ano-o-dia-28-de-junho.html>
Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Choro>

domingo, 12 de abril de 2009

A Viola Caipira de Tião Carreiro

Autor: Fernando Cesar Caselato
Polo: São Carlos


José Dias Nunes, este é o nome pelo qual ganhou fama Tião Carreiro, o Deus carrancudo, como muitos assim o chamavam, devido ao seu volumoso bigode e seu temperamento sisudo. É considerado pelos historiadores, violeiros e folcloristas, como o símbolo maior da cultura caipira. Nascido em 1934, foi um gênio da sua época, com inovações com relação ás técnicas de pontear o instrumento (dedilhar, digitar as cordas da viola caipira). Seus discos são procurados nas lojas especializadas até os dias de hoje.

Tião foi, numa terra de tantos bons violeiros, o melhor e o mais famoso, deixando muitos admiradores. Tanto que nunca foi esquecido. No rádio, no alto-falante das praças e nos aparelhos de som, rodaram seus 28 discos de 78 rpm e os 57 compactos e LPs. O gênio não era mesmo dado a sorrisos, mas gostava de festas, onde pudesse tocar sem ter hora para parar.

Em parceria com o amigo Pardinho, criou e interpretou inúmeros sucessos como “Pagode em Brasília” e “Falou e Disse”. Cantou e tocou ritmos típicos de nossa cultura raiz, como o cururu, a toada, o recortado mineiro, o cateretê, o arrasta-pé, a cana-verde, a moda de viola, samba e o pagode de viola. Este último, o pagode de viola, é considerado uma criação do mestre que, segundo relatos, em um quarto de hotel, uniu o recortado mineiro com o cipó-preto ou lundu. Se não há provas concretas de sua criação, com certeza não há dúvidas da enorme divulgação que fez com o ritmo inovador.

Interessante é o magnetismo que Tião exerce sobre os admiradores, músicos ou não, sendo que mesmo os que desconhecem sua trajetória, lembram de seu rosto forte e determinado. Também aprimorou o estilo de cantar em dupla, onde a segunda voz que é a mais grave era colocada com mais destaque do que a primeira. Estilo que depois foi seguido por inúmeras duplas de cantadores.

O saldo de sua carreira foi o de 25 discos de 78 rpm com Pardinho e Carreirinho, mais de 50 Lps com variados parceiros, dois Lps em solos de viola caipira e mais de 300 composições com os mais importantes nomes – Teddy Vieira, Dino Franco, Moacyr dos Santos, Zé Carreiro, Zé Fortuna, Carreirinho e Lourival dos Santos, amigo e seu principal companheiro.

Toda a técnica de mão direita iniciada por ele, o seu toque com o polegar e as divisões rítmicas intrincadas, servem de inspiração e fonte de pesquisa para a viola que vem acontecendo no Brasil de hoje, com a inclusão e a fusão do jazz brasileiro, a música contemporânea e gêneros como o choro e o maxixe, o maracatu, frevo, baião e afoxé do nordeste e ritmos do sul do Brasil como a milonga, o chamamé e a chacarera.

sábado, 11 de abril de 2009

Samba: Uma viagem cultural pelo mundo

Autor: Thiago Carbonari
Pólo: São Carlos

O Brasil é um dos países mais exóticos e interessantes no que concerne à produção cultural, pois deriva de uma forte miscigenação de culturas fazendo com que as produções musicais regionais sofram várias influências por conta disso. Mas ainda assim o gênero musical que leva a marca estampada do Brasil é o samba que, assim como o brasileiro, é rico em mistura de raízes.

Pesquisadores apontam que o samba moderno é a síntese do lundu, do maxixe e da modinha. O lundu é essencialmente africano, o maxixe é uma mistura da dança da polca européia com os ritmos caribenhos e afro-brasileiros e a modinha que é a manifestação mais brasileira e que foi difundida por Domingos Caldas Barbosa nos palácios das cidades portuguesas.

A denominação samba é, provavelmente, originária da palavra angolana semba, que significa umbigada, pelo modo como era dançada. Seu primeiro registro pode ser encontrado na revista “O Carapuceiro” em 1838. A palavra samba, por volta do século XIX, denominava qualquer música feita pelos escravos africanos do nordeste ao sudeste do Brasil. Mas, foi o samba carioca o que mais se destacou neste cenário, cuja maior influência veio dos ritmos baianos, provavelmente, pela transferência dos escravos da Bahia para o Rio por causa das plantações de café.

O Rio de Janeiro é o berço do samba moderno, e foi lá que foi gravado o primeiro samba, intitulado “Pelo Telefone”, cantado por Bahiano e Ernesto Nazaré, mas registrado polemicamente por Donga e Mauro Almeida, sendo anunciado pelo próprio Donga em 1917 no jornal do Brasil como sendo um “tango-samba”. Sabe-se que na época as composições eram feitas de forma coletiva e que esta música foi criada em uma roda de partido alto, da qual participavam Mauro Almeida e Sinhô, que se intitulou o rei do samba na época. Nesta fase também começaram a surgir inúmeras gravações de samba e esse estilo começou a se popularizar.

As rodas são formações marcantes no samba, assim como a coletividade e o espírito de cooperação. O termo escola de samba foi utilizado e adotado pelos grandes grupos de samba para impor mais respeito e ganhar mais credibilidade diante da sociedade. A primeira escola de samba como conhecemos hoje foi fundada no bairro Estácio de Sá no Rio de Janeiro, por Ismael Silva com o nome de Deixa Falar. Ela moldou o samba-enredo para a forma atual com instrumentos de percussão como surdo e cuíca. A Deixa Falar fez sua primeira aparição na Praça Onze como um bloco de corda e não deixou ninguém parado. Um ano depois surgiram mais cinco escolas, entre elas a Estação Primeira de Mangueira e a Vai Como Pode que atualmente é a Portela.

Fazer dançar e cantar junto não são as únicas qualidades do samba; ele também trabalha o aspecto social. O primeiro cronista do samba foi Noel Rosa, que até do corpo humano tirava samba, como a música Coração. Foram das “brigas” com Wilson Batista que saíram clássicos como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz.

O tempo foi passando e o samba foi se elevando de divertimento popular ao estado de arte. Em 1958 foi lançado o disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, com a batida diferente de violão de João Gilberto na música Chega de Saudade de Tom Jobim e Vinicius de Morais. Essa interpretação foi um marco na história do novo samba intitulado de bossa nova.

A bossa nova, com uma forte influência do jazz e do impressionismo da música clássica, trouxe um ar mais intimista e refinado ao samba. O termo bossa deriva da gíria carioca da época que significava, segundo Sóstenes Pernambuco Pires Barros, “jeito”, “maneira”, “modo”. E bossa nova era uma oposição a tudo o que era considerado, pela nova geração de músicos, como sendo antigo e ultrapassado.

Em São Paulo víamos o aparecimento de outro mestre do samba, João Rubinato, o Adoniran Barbosa. Com uma grande voz e letras com histórias e linguagens tipicamente urbanas, de dar inveja a qualquer “malandro” da época, Adoniran vive até hoje em suas composições geniais.

Os anos 60 e 70 trouxeram uma revolução nas artes e também na música brasileira. Surgiram nomes como Cartola, Nelson do Cavaquinho, Zé Keti, Clara Nunes, Martinho da Vila e o mestre Bezerra da Silva. Também surgia o grande Hermeto Paschoal com a mistura dos sons da natureza com a música regional, o jazz com o samba. Enfim, a música que só poderia ser feita por um brasileiro. Foi também nesta época que o samba voltava às raízes dançantes com o samba-rock em discos como “Jorge Ben” de 1969 e “Força Bruta” de 1970, com o famoso Trio Mocotó acompanhando o cantor e guitarrista Jorge Ben. Esse estilo trouxe uma nova modernização ao samba, acrescentando a guitarra e o suingue do funk ao samba puro e aplicado, sem tirar a malandragem inerente ao estilo.

Nos anos 80, após um breve esquecimento do estilo, ele voltou às rádios na forma do pagode; com artistas como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e o grupo Fundo de Quintal. Atualmente o pagode é sinônimo de letras fúteis, harmonias fracas e ritmos “quadrados”, o que não acontecia com os artistas dessa época, mas como tudo que tem um período ascendente e cheio de idéias, também têm épocas de ostracismo e declínio.

O samba moderno é o casamento do samba com a nova batida das ruas, como pode ser visto nos discos novos de Marcelo D2, na mistura de samba com hip hop ou no caso da banda Los Hermanos que misturam elementos de bossa nova, ska e rock.

O samba é a alma e a vida da cultura musical brasileira, como dizem os versos da música Não Deixe o Samba Morrer de Edson e Aloísio, imortalizada na voz de Alcione: “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar. O morro foi feito de samba. De Samba, prá gente sambar”.

Para Saber Mais
http://www.suapesquisa.com/samba/
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT865240-1655-1,00.html
http://www.sambacarioca.com.br/historia-do-samba.html
http://www.collectors.com.br/CS06/cs06_05n.shtml
http://www.hermetopascoal.com.br/
http://www.almacarioca.com.br/mpb.htm
http://www.stellaaguiar.com.br/historiadoritmo/historiadosritmos.htm#sambarock
http://www.vidaslusofonas.pt/adoniran_barbosa.htm
http://www.mpbnet.com.br/musicos/noel.rosa/

domingo, 21 de setembro de 2008

A Música Popular Brasileira – Bossa Nova

Autor:
Pólo:

A Música Popular Brasileira – Bossa Nova

Nos idos de 1940, as principais correntes de música popular no Brasil eram a música carnavalesca, com sambas e marchas, principalmente, e a chamada música de meio de ano, com repertório que ia de valsas e dos samba-canções, cujos principais intérpretes eram Orlando Silva, Silvio Caldas e Francisco Alves, até a música junina.

Nas rádios ouvia-se muita música norte-americana, estimuladas pelo cinema. A grande novidade na música brasileira eram os sambas orquestrados, como Aquarela do Brasil de Ary Barroso, com orquestração de Radamés Gnattali. Na área da composição, quem mais ousava era Custódio Mesquita, que acrescentava recursos do jazz ou da música erudita às suas obras.

Em 1946 a gravadora Continental lançou um disco que continha o samba-canção Copacabana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, cantado por Dick Farney. Esta obra abriu um novo caminho para a música popular brasileira com ingredientes da música norte-americana. Essa música criou as condições para que outros compositores fizessem um tipo de música que foi chamada de samba moderno, que claramente influenciou compositores como Antonio Carlos Jobim. Os principais intérpretes deste gênero eram Dick Farney e Lúcio Alves, que eram considerados rivais. Essa rivalidade terminou por meio de uma composição de Tom Jobim e Billy Blanco ( 1954 ), Teresa da Praia, gravada pelos dois.

Outro importante acontecimento musical do ano de 1946 foi o lançamento pela gravadora Odeon de um disco chamado Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, gravado pelo conjunto Quatro Ases e um Coringa. A gravação lançou um novo gênero musical, com repercussão internacional, gravado por cantores como Bing Crosby e Sarah Vaughan.

No ano de 1956 ocorreu o encontro de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O poeta Vinicius estava a procura de um músico para fazer a direção musical e criar as melodias para sua peça Orfeu da Conceição, versão negra e carioca do mito grego de Orfeu. A primeira música surgida dessa parceria foi “ Se todos fossem iguais a você “. Após o término da temporada da peça, os dois começaram a trabalhar nas músicas da versão cinematográfica da peça, uma produção francesa, e surgiu a música “ A felicidade “.

O Brasil nessa época vivia um clima de euforia produzido pelo governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek e nesse clima surgiu a Bossa Nova, o clímax de diversas tentativas de modernização da nossa música popular. O movimento explodiu com o lançamento pela Odeon em 1958 de um disco que continha de um lado Chega de saudade ( Tom Jobim e Vinícius de Moraes ) e, do outro, Bim-bom ( João Gilberto ), com arranjos de Tom Jobim e tendo como intérprete João Gilberto, introdutor de uma nova batida de violão e estilo revolucionário de cantar. Esse novo estilo consolidou o movimento, com músicas como Desafinado ( Tom Jobim e Newton Mendonça ) que continha em sua letra a frase “ isso é bossa nova, isso é muito natural “.
João Gilberto já havia tocado violão na gravação de Chega de Saudade ( Tom Jobim e Vinicius de Moraes ) feita pro Elizeth Cardoso e assim ficou estabelecido o trio dos grandes da bossa nova: João Gilberto, Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.

Outros nomes importantes para o movimento foram a cantora Silvinha Telles, os compositores Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo e João Donato, dentre outros.

A bossa nova fica conhecida também no exterior e é gravada por músicos importantes como Charles Byrd e Dizzy Gillespie no fim da década de 60. Stan Getz grava Desafinado, e vende mais de um milhão de exemplares. Getz gravou com João Gilberto e Astrud Gilberto um disco intitulado “ Getz, Gilbert – featuring Antonio Carlos Jobim “, que ficou nas paradas norte-americanas. Frank Sinatra gravou o famoso disco “ Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim “, sendo escolhido por unanimidade pela crítica especializada dos Estados Unidos como o álbum vocal do ano e também ganhou o Grammy, perdendo em vendagem apenas para o LP dos Beatles “ Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band “ no ano de 1969.

E como está a Bossa Nova nos dias atuais? As grandes gravadoras não têm investido nesse importante movimento musical, mas os selos independentes têm buscado aproveitar esse espaço e vêm relançando em CD versões raras e remasterizadas dos músicos mais expressivos da Bossa Nova, como Sergio Mendes e Bossa Trio ( Você ainda não ouviu nada – 1960 ), Elza Soares ( A Bossa negra – 1961 ) e João Donato e seu trio ( A Bossa muito moderna – 1963 ). Álbuns gravados para o mercado norte-americano que não haviam sido lançados no Brasil estão sendo agora lançados, como “ The Music of Mr. Jobim by Silvia Telles “ e “ Bossa Jazz De Luxe “ gravada em versão mais jazzística por músicos americanos.

Outros selos menores, como a Albatroz Music, comandada por um dos mais importantes nomes da bossa nova, o compositor Roberto Menescal, investe no repertório do próprio Roberto Menescal – incluindo as parcerias com Ronaldo Bôscoli – e em outros nomes como o experiente Leny Andrade, o conjunto vocal Os Cariocas e a jovem Cecília Dale.

O grupo Bossa Cuca Nova vem trabalhando clássicos da Bossa Nova de uma forma moderna. Um dos integrantes do grupo é Márcio Menescal, guitarrista e filho de Roberto Menescal. Os outros integrantes são o DJ Marcelinho da Lua e o programador Alexandre Moreira. Por essa combinação, pode-se ver que é uma nova maneira de interpretar o gênero musical.

A gravadora Trama Records vem trabalhando a Bossa Nova com o drum´n´bass, o mais moderno movimento da música eletrônica. O DJ Patife ( Wagner Borges Ribeiro de Souza ) remixou o CD de Fernanda Porto e fez um sucesso enorme em Londres e Nova York, capitais da música Techno.

Mas, a despeito do apelo da versão moderna, a Bossa Nova tradicional ainda tem espaço. Em 2001, o álbum “ João Voz e Violão “ de João Gilberto ganhou o Grammy de melhor disco de world music em Los Angeles.

Música Católica Popular

Autor: Suzi
Pólo:
Música católica popular é um gênero musical religioso que faz parte da Igreja Católica Apostólica Romana e vem ganhando força desde o Concílio Vaticano II.

Suas letras falam de amor, perdão e tantas outras palavras que estão escritas na Bíblia Sagrada, e as pessoas que cantam este gênero musical tiveram suas vidas transformadas pela palavra de Deus.

Um dos pioneiros a levar a palavra de Deus através da música na década de 1960, e que até hoje arrasta multidões onde quer se apresente é o Padre Zezinho e suas famosas canções como “Maria de Nazaré”, “O profeta”, “Amar como Jesus Amou” além de tantas outras que tocam e transformam o coração de muitas pessoas.

A música católica popular começou a ganhar variedade no final da década de 1970 e começo de 1980, com a ascensão da Renovação Carismática Católica e o surgimento de compositores católicos. Através de festivais, “esse gênero musical” começou a fazer sucesso.

Isso tudo começou a despontar com o surgimento da Comunidade de Vida Canção Nova cujo presidente é o padre Jonas Abib, o qual começou timidamente com suas próprias canções, abrindo as portas para outros cantores católicos que viriam depois.

Cantores (as) como Nelsinho Corrêa, Eugênio Jorge, Dunga, Adriana, Celina Borges, Ziza Fernandes e tantos outros que, com suas canções, dão testemunho do que Deus fez e faz ainda em suas vidas arrastam muitas pessoas de volta para a Igreja com suas músicas que tocam e até curam corações feridos.

A cada ano, a revolução acontece na música católica popular e, nos dias de hoje, para a palavra de Deus chegar também ao coração dos jovens, há bandas como “Vida Reluz” que tocam músicas católicas em gênero pop; para aqueles que preferem um estilo mais agitado, há bandas católicas que tocam rock, como “Rosa de Saron” e “Aeternum Dei”, e ainda, para os que preferem louvor e adoração, há cantores que são considerados profetas de Deus como Walmir Alencar, Cleidimar Moreira e o maior fenômeno: Padre Fábio de Melo.

Deus procura entrar no coração do homem através da Bíblia Sagrada, mas nos dias de hoje, é através da música que o Evangelho tem entrando facilmente no coração de todos, principalmente nos Jovens, por isso precisamos de ótimos compositores que saibam dar testemunho do que Deus realiza em suas vidas.